Júlia conhece Felipe em uma festa, conversam, se beijam e, ao final, resolvem terminar a noite juntos. Tudo é garantido para uma ótima noite de prazer, exceto o fato de Felipe não ter camisinha. É nessa hora que o monstro da modernidade assombra os dois jovens: a Aids ou Síndrome da Imunodeficiência Adquirida. Histórias desse tipo têm, frequentemente, se repetido mundo a fora, mas nem sempre a escolha mais sábia é tomada. Na necessidade de educação sexual, foi realizada, há poucas semanas, uma conferência global sobre a Aids que pretendia discutir os rumos da doença e seus tratamentos.
Desde o seu surgimento, há 25 anos, nunca cessaram as discussões sobre essa doença que, de acordo com o Ministério da Saúde, atinge cerca de 0,5% dos brasileiros. Entretanto, o mote atual é a identificação de uma possível epidemia. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), representação da ONU na conferência, os números de infectados fora dos antigos “grupos de risco” (homens homossexuais, usuários de drogas injetáveis e hemofílicos) têm crescido, especialmente entre as mulheres. Sendo esse crescimento justificável por boa parte dos casais estarem abrindo mão do uso da camisinha quando se vêm em relacionamentos mais “sérios”, mesmo com toda descartabilidade dos relacionamentos modernos.
Porém, tais arrobos epidêmicos não são comprovados por todos os estudiosos do tema. A cientistas americana Elizabeth Pisani foi na contramão dos índices apresentados pela OMS e declarou que seria “impossível uma epidemia do vírus HIV entre heterossexuais”. Mas no Brasil o pensamento se difere. Segundo Pisani, o Brasil possui clima e mistura de comportamentos sexuais semelhantes aos países da África Sub-Sahariana, e atribui à boa política governamental o mérito pelo país não se encontrar em igualdade com os africanos que têm 5% de sua população adulta infectada.
Apesar de todas essas divergências, um pensamento é unânime: os tratamentos vêm evoluindo. Os avanços tecnológicos têm garantido a melhora dos medicamentos e a sobrevida dos contaminados pelo vírus é cada vez maior, ultrapassando 10 anos. Mas isso não nos isenta da responsabilidade. Ainda se faz necessário evitar o risco, e a principal forma para isso ainda é o uso de preservativos, sempre e em qualquer tipo de relação sexual. Evitando não só a Aids, mas também outras doenças sexualmente transmissíveis, como gonorréia, herpes e sífilis, além de gravidez indesejada.
Texto: Sonayra Costa