Cachês do Carnaval: Matéria do Diario de Pernambuco
26 de Fevereiro
de 2009

Saiu uma série de textos sobre os cachês pagos pela Prefeitura e Governo no Diario de Pernambuco. Os textos são Luce Pereira na coluna Diario Urbano. Ela lista os maiores cachês e compara os valores dos últimos anos…
Os valores dos cachês são publicados pela Prefeitura do Recife no site da Secretaria de Finanças e pelo governo no Portal da Transparência (É preciso muita paciência pra achar as infos…)
Diario Urbano - Diario de Pernambuco
Luce Pereira
Cachês (17.02.2009)
Caviar garantido // Até agora, no ranking dos cachês pagos pela prefeitura às estrelas do carnaval, o cantor Lenine continua na frente, com R$ 120 mil embolsados por duas apresentações. Antonio Nóbrega aparece em segundo, levando R$ 80 mil por um par de shows, e Mundo Livre S/A, R$ 66 mil também por duas apresentações.
Contando dinheiro // Da folia, devem sair muito bem obrigada as finanças do cantor Alceu Valença, que deixou o Baile Municipal com R$ 50 mil na conta. Mas o artista ainda canta no carnaval do Recife e em pólos do governo do estado. Bem mais modesto, porém longe de ser mal pago, Nando Cordel se despede da folia contando R$ 18 mil.
fonte: http://www.diariodepernambuco.com.br/2009/02/17/urbana2_0.asp
Cachês: capítulo final (19.02.2009)
Não é mau negócio mesmo para artistas que brilham em palcos e telas do Brasil vir passar o carnaval no Recife. Aqui, são tratados como majestades, alguns até com exigências que não combinam em nada com o velho discurso do ex-prefeito João Paulo de que vivemos numa cidade com 1,5 milhão de pessoas cujas finanças não permitem gasto maior do que algo em torno de R$ 5 por dia. Do outro lado do discurso, só para citar quatro abençoados, estão Lenine (que recebeu R$ 144 mil em 2008 e agora caiu de preço, com R$ 120 mil por duas apresentações na festa); Alceu Valença (R$ 180 mil no ano passado e neste, R$ 50 mil só pelo show no Baile Municipal); Banda Mundo Livre S/A, de Fred Zero Quatro (que pulou de R$ 40 mil para R$ 66 mil) e Antonio Nóbrega (R$ 80 mil, por dois shows de R$ 40 mil). Na edição 2008, só Elba Ramalho e Paralamas, que nem são a cara do carnaval do Recife, ficaram com R$ 300 mil. Alguns poucos exemplos reunidos dão mostras do quanto em oito anos de governo de João Paulo a prefeitura foi pródiga, especialmente com as áreas de Cultura e Turismo. E continua. Mesmo eventos privados e fechados que faturam alto com bilheteria e venda de mesas e camarotes são ungidos com verba do município, como é o caso do Guaiamum Treloso (R$ 35 mil em 2008 e R$ 20 mil em 2009) e do Siri Pirata, que no ano passado melhorou a receita com outros R$ 30 mil. Isso sem falar em Almir Rouche, a quem coube R$ 22 mil por uma apresentação no Bal Masqué, mesmo a festa não pertencendo à programação da prefeitura. Até a Skol saiu do acordo de patrocinadora-mor da folia no centro com R$ 100 mil para torrar em sua casa VIP. Ao que se sabe, a AmBev está acima da “linha de riqueza” muito mais do que possam supor os contribuintes que deixam seus sacrificados milhões nos cofres da prefeitura. O prefeito João da Costa talvez resolva pensar duas vezes antes de permitir que o próximo carnaval seja igual àqueles que passaram.
fonte: http://www.diariodepernambuco.com.br/2009/02/19/urbana2_0.asp
Os critérios da “bolsa” (20.02.2009)
Comparar é sempre uma tarefa difícil, porque se pode alegar o uso de critérios subjetivos na eleição disto ou daquilo, mas existe o bom senso para atenuar qualquer pecado. Na confecção da grade do carnaval do Recife, a banda mangue Eddie leva R$ 12 mil de vantagem sobre a excelente Sá Grama, que não conseguiu passar dos R$ 6 mil, ambas bem distantes dos R$ 48 mil pagos a Reginaldo Rossi, esse em franca ascensão: no ano passado, o cachê dele não ultrapassou R$ 22 mil. A explicação para o fato de o rei do brega pernambucano ter o passe tão valorizado na bolsa do carnaval do Recife parece a mesma com que se pode justificar o cachê de R$ 58 mil pago ao cantor Silvério Pessoa por três apresentações. Ou seja, nenhuma. No ano passado, a empresa de Pessoa recebeu 79 mil, independentemente de o show ter a participação de três outros artistas - Manu Chao, Paulo Miklos e Fernando Aniteli. Até onde se sabe, participantes não recebem cachê ou, se recebem, o valor deveria estar no Diário Oficial e eles perderem o tratamento de “convidados”. Critérios pouco compreensíveis fizeram, por exemplo, Siba (e sua Fuloresta) ter o trabalho, no carnaval de 2008, remunerado com a bagatela de R$ 90 mil e nesse, caído para R$ 15 mil (mesmo valor pago pela Fundarpe). Se Zeca Baleiro, que teve participação no show, não recebeu nada, exatamente por ser convidado, o mistério sobre a atual desvalorização do passe de Siba persiste. Caso alguém consiga esclarecê-lo, talvez possa, também, dizer o que leva Geraldo Azevedo a continuar ganhando R$ 75 mil por duas apresentações, enquanto (apesar do equívoco de cantar no carnaval e no Marco Zero) a paulista Mônica Salmaso precisou se contentar com R$ 10 mil - o que, no entanto, diante da realidade desse mercado em nível nacional, está longe de se configurar como mau negócio. Pode ser que alguma luz seja lançada sobre essas questões quando (outro) fevereiro chegar.
A dever // A um dia do início da folia, a Prefeitura do Recife não publicou no seu Diário Oficial as informações que faltam sobre outros contratados. E está fazendo escola: a Fundarpe só disponibilizou até ontem, no D.O do estado, dados de algumas contratações, entre elas a da Velha Guarda da Mangueira, agraciada com R$ 50 mil. A Mangueira, a propósito, não tem mais motivo nenhum para querer ficar longe de Pernambuco.
Fartura // E a Fundarpe pagar R$ 120 mil para Marcelo D2 só pode ser uma prova de que, no terreno da Cultura, Pernambuco pode até emprestar “algum” para o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, tirar o país do atoleiro. Raciocínio que também serve para justificar o cachê de R$ 47 mil ofertado ao DJ Dolores, que no ano passado, na folia recifense, se apresentou por R$ 15 mil.
Discurso ameaçado // A prefeitura e o governo do estado (Fundarpe) devem ter mais afinidades, além da que se vê na forma de remunerar artistas, mas a primeira dá de mil a zero no segundo quando o assunto é Diário Oficial. A versão eletrônica que mostra como anda a caneta do governo bate no usuário de forma tão ruim que pode ameaçar qualquer discurso sobre empenho por transparência.
fonte: http://www.diariodepernambuco.com.br/2009/02/20/urbana2_0.asp
*matéria retirada do site: www.reciferock.com.br











